- Por DANIELA PINTÃO - Dona Terezinhaaaaa, gritei da janela. Ela apareceu de bobes no cabelo e sorriso no rosto, como sempre. Era quinta-feira e eu queria saber se ela precisava que eu fosse ao mercado ou à farmácia para ela. Nossa conversa se deu pelas respectivas janelas, a alguns metros de distância, como manda a atual etiqueta sanitária. Há quatro anos divido a parede do terraço, a janela e as conversas de corredor com esta simpática senhora de 92 anos, 40 deles morando no quarteirão mais movimentado do Baixo Augusta, em São Paulo. Claro que ela não conhece o nome gourmetizado que deram para o bairro em que vive desde que se mudou de Campo Mourão, no interior do Paraná, para a capital paulista. Para ela, é simplesmente Augusta. Já me contou sobre anos gloriosos (dos quais só ouviu falar), prostituição (no auge, quando ela chegou), a transformação com as baladas cool no início dos anos 2000 e a posterior ocupação da rua pelos mais diversos tipos e tribos . T...