Por DANIELA MARTINS Em plena escalada da curva de infecções e mortes, os governantes defendem publicamente que a quarentena seja relaxada. O argumento é que não se pode sacrificar a economia. Mas a discussão aqui é, na verdade, como achamos sensato gastar o dinheiro, o que é preciso fazer para encontrarmos os recursos, se admitimos ou não mudar as prioridades. Socialmente, aceitamos que algumas vidas valem menos do que outras. Sempre convivemos com milhares de mortes por fome, abandono e miséria, por exemplo, mesmo sabendo que o Brasil está longe de ser um país pobre. Gritamos contra programas de transferência de renda para os miseráveis, mas nunca saímos às ruas contra o auxílio-moradia dos juízes, que recebem o teto salarial máximo do funcionalismo público. Voltando ao coronavírus, temos 27.500 leitos de UTI na rede pública, utilizada por 163 milhões de brasileiros, e 27.600 na rede privada, acessíveis aos 47 milhões que podem pagar por um plan...