Alguns pontos de mofo no meu banheiro vinham desafiando minha autoestima. Não, eles não começaram agora, são pré-pandêmicos; talvez tenham começado a me atormentar neste momento porque tenho olhado mais para eles, ao mesmo tempo em que meus mecanismos de resiliência dão os primeiros sinais de esgotamento. O fato é que hoje decidi encará-los. Com coragem. Eram só alguns pontinhos, coisa pra meia hora. No máximo, vai, estourando, uma hora. Essa uma hora, a primeira da manhã, já estourei, de cara, consultando tutoriais no YouTube, me apetrechando para o enfrentamento. Faxina teórica. O revestimento do meu banheiro, suporte físico dos fungos, tem uma história piegas. Necessário contá-la. Tive um namorado, certa vez, um grande amor da vida. Tão doentinho quanto eu. Fomos felizes, ríamos muito na comparação dos nossos sintomas obsessivo-compulsivos. Fomos felizes. Levamos ...