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Mostrando postagens com o rótulo BRASÍLIA

Quarentena, ano 2: vivendo com força a distopia

  Por Daniela Martins Quando me mudei para Brasília, em janeiro de 2010, havia um clima de alegria no ar, era inegável. O Brasil vivia tempos de mudança social intensa e de muita esperança no futuro.  Na rampa do Congresso Nacional, que visitei com meus filhos ainda bem pequenos naquela ocasião, alguém havia deixado um recado escrito com batom vermelho: “Valeu, Lula!”.  Fiquei encantada com aquela irreverência, com aqueles palácios da Praça dos Três Poderes, tão importantes, todos sem muros ou grades, com os garotos descendo as laterais do gramado em folhas de papelão.  Um ano depois, o país elegia a primeira mulher para a Presidência da República. Nós comemoramos, rodamos a cidade acompanhando o buzinaço alegre dos carros. Eu realmente acreditava que meus filhos veriam um país muito diferente do Brasil da ditadura em que eu cresci.  Essa certeza começou a mudar com aquele processo vergonhoso de impeachment da Dilma.  A foto que ilustra este post eu tirei n...

QUARENTENA, DIA 49

Por DANIELA MARTINS 03/4 - QUARENTENA, DIA 49. A Dutra estava bastante movimentada para um domingo, mas pelo menos não choveu. Sem ponte aérea e sem correria, a viagem entre São Paulo e Rio tem sido a aventura da quarentena, além de um prazer. Mesmo a descida da Serra das Araras, que seria absolutamente perigosa até para uma charrete. É bem louco isso, mas o fato é que a estrada que liga as duas maiores cidades do país tem um longo trecho que deixa todos os motoristas tontos e precisa realmente ser percorrido a 40 km/h para evitar acidentes sérios. Cada caminhão descendo aquilo é um susto. Desci pensando que assim também é a vida. A gente tá num ponto e planeja chegar num outro, mas essa linha jamais será reta e sem sustos e perigos. O importante é manter-se sempre engrenado, como mandam as placas. Enquanto eu viajava, inclusive na batatinha, e cruzava com quatro ambulâncias pelo caminho, o presidente radicalizava seu discurso em Brasília: “Tenho certeza de uma coisa, nós...

QUARENTENA, DIA 37

Por DANIELA MARTINS 21/4 - QUARENTENA, DIA 37. Hoje, meu celular caiu no chão e a tela se espatifou em milhares de pedacinhos. Como é feriado, Dia de Tiradentes, ficou logo claro que eu não conseguiria consertar.  Aliás, descobri que ontem foi ponto facultativo em SP e achei lindo que a gente esteja  preservando os  hábitos culturais, como enforcar feriados, mesmo em quarentena.  No início do isolamento, fiz umas buscas na internet para conhecer melhor aquele aspirador de pó robô que anda sozinho pela casa. Desde então, os algoritmos têm me bombardeado com propagandas dos mais diversos produtos para limpeza. Esfregão com spray, rodo mágico, mop autolimpante, pastilha que dissolve gordura, apetrecho que suga os pelos presos nas roupas, cera milagrosa. Quero tudo, mas me custaria uns cinco mil reais.  Enquanto eu devaneio bobagens, os casos de infecção passam de 2,5 milhões pelo mundo.  Mas hoje também é dia de festa, Brasilia, a nossa capital, co...