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Mostrando postagens com o rótulo coronavírus

SALVE, JORGE!

Por DANIELA MARTINS Em plena escalada da curva de infecções e mortes, os governantes defendem publicamente que a quarentena seja relaxada.  O argumento é que não se pode sacrificar a economia. Mas a discussão aqui é, na verdade, como achamos sensato gastar o dinheiro, o que é preciso fazer para encontrarmos os recursos, se admitimos ou não mudar as prioridades.  Socialmente, aceitamos que algumas vidas valem menos do que outras. Sempre convivemos com milhares de mortes por fome, abandono e miséria, por exemplo, mesmo sabendo que o Brasil está longe de ser um país pobre.  Gritamos contra programas de transferência de renda para os miseráveis, mas nunca saímos às ruas contra o auxílio-moradia dos juízes, que recebem o teto salarial máximo do funcionalismo público. Voltando ao coronavírus, temos 27.500 leitos de UTI na rede pública, utilizada por 163 milhões de brasileiros, e 27.600 na rede privada, acessíveis aos 47 milhões que podem pagar por um plan...

SAUDADE DA DIARISTA, NÉ, MINH@ FILH@?

Por DANIELA MARTINS Hoje foi dia de limpeza aqui em casa. O apartamento é grande e, além de mim, moram aqui três adolescentes e dois gatos peludos. Não tem como disfarçar, fica bem sujo mesmo. Eu tenho uma funcionária que me ajuda demais, mas que está em quarentena, obviamente, como todo mundo deveria estar neste momento. A sorte é que eu sei fazer bem os serviços domésticos e confesso que até gosto muito de cozinhar, limpar, lavar e arrumar. Mas, seja solta na vida ou confinada, detesto passar roupas. Muita gente está em apuros neste momento, vivendo na poeira, manchando as camisas e comendo miojo, descobrindo que simplesmente não sabe como cuidar da própria casa e da própria alimentação. A gente ri dos posts das dondocas enaltecendo a si mesmas por estarem fazendo faxina pela primeira vez, por conta da quarentena, mas a verdade é que a situação acabou por desvelar um tema crítico na sociedade brasileira. Não sabemos fazer os serviços mais básicos de uma casa porqu...

MEDO DE ABRIR A GELADEIRA

- Por DANIELA MARTINS Comecei a notar uma mudança nos posts dos amigos nas redes sociais hoje: uma mergulhava em Fernando de Noronha, outro estava num palco de teatro, outra estava se casando, e assim por diante.  Entendi que estamos sentindo falta de vida, relembrando os momentos em que nos sentimos felizes viajando, mergulhando, atuando, filmando, celebrando. Atualmente, não produzimos mais teatro, música, filmes, exposições, eventos esportivos, nada – nem novela! É claro que temos inúmeras opções disponíveis nas redes, porque o acervo da humanidade é fantástico nesse sentido. Ontem, por exemplo, começamos a ver “Os Sertões”, um projeto teatral icônico da galera do Oficina, baseado na obra homônima de Euclides da Cunha, que rolou entre 2002 e 2007. São mais de dez horas de duração ao todo, que Zé Celso Martinez Corrêa está subindo em vídeo para o YouTube. Quando mais rolaria tempo pra isso? Tem também uma penca de artistas se apresentando ao vivo pela ...

PENSO, LEIGO EXISTO

- Por RICARDO SILVEIRA No planeta, pandemia. Na cabeça, pandemônio. Se tem fitinha e aparelho para medir diabetes em 3 segundos, por que não tem uma pra detectar o corona igual teste de grávida? Qual é o recorde mundial de velocidade de produção de vacina depois do surgimento de um novo vírus? Já consultaram algum um pajé? O treco passa pelo ar, pela água ou pelo dinheiro? Por que tanto na Itália e Espanha e não tanto na França e Alemanha? Algum astrólogo viu um 2020 assim? É um vírus único? É o mesmíssimo vírus em todo ser-humano ou o organismo de cada ser-humano pode ter seu vírus particular? É possível que isso já circulasse, na moita, antes do primeiro chinês diagnosticado e que algo não relacionado a ele tenha catapultado a bagaça? Por que os anticorpos de gripes passadas não funcionam agora? Já fuçaram as gavetas da NASA? Tem alguém 100% imune a esse treco mesmo sem a vacina? Se o vírus fica vivo no chão por dias a fio na rua, algum tipo de fumacê ...

CORONAVÍRUS E EXCLUSÃO SOCIAL

- Por DANIELA MARTINS Hoje eu vi, bem ao lado da minha casa, um morador de rua preparando seu abrigo solitário com pranchas de madeira velhas e papelão. Fiquei olhando a cena por alguns minutos e vendo o cuidado com que ele arrumava tudo. Uma lona preta dobrada sobre o carrinho de metal indicava que toda aquela estrutura seria coberta. Aquele será o seu refúgio solitário para tentar atravessar uma pandemia que já matou mais de 12 mil pessoas pelo mundo e que parece estar longe do fim? Muitas vezes parei para conversar com pessoas em situação de rua - sou filha de assistente social e aprendi cedo que é preciso enxergar as pessoas antes dos problemas. Aprendi também que trocar algumas palavras pode valer tanto quanto o dinheiro em algumas situações. São seres humanos que passam por inúmeras necessidades e precisam ser ajudados, mas que também gostam de ser ouvidos, de falar sobre seus cachorros, seus gatos, seus filhos, seus desejos. Um morador da Sé já me deu uma aula...

ORGULHO DA VERGONHA ALHEIA

- Por SOLANGE REIS Correu o mundo a imagem de três mulheres se estapeando num supermercado australiano por um pacote de papel higiênico. Terminado o fuzuê, nenhuma levou para casa esse item tão desejado em tempos de pandemia. Pior, duas acabaram indiciadas por perturbação da ordem. “Uma vergonha! De que forma o mundo nos verá agora?”, me disse uma conhecida, genuinamente abalada. Ah, os australianos! Eles esquecem que já vimos ‘Crocodile Dundee’ e as atuações de Mel Gibson.  Aussies , sempre tão desconectados da realidade. Talvez porque a Austrália nem exista na Terra Plana.  Pensei imediatamente no presidente brasileiro. Sua sugestão de cocô dia sim, dia não contra a mudança climática. E a acusação de que Leonardo DiCaprio financia as queimadas na Amazônia. Teve também aquela quando ele chamou de herói o chefe da milícia fluminense e disse que o erro da ditadura foi torturar e não matar. É Bolsonaro no seu melhor. Ou seria quando negou a uma mulher a honra...

UM DIA DE CADA VEZ, o estoque

-Por ETEL FROTA Batatas, laranjas e embalagens de álcool gel higienizadas e guardadas, começamos por aqui a quarentena. Porteira fechada. A gripe do demonho , aqui, não entra. Se já tiver entrado, daqui não sai para empestear mais ninguém. Uns 5 anos atrás, eu estaria no limiar culpado da felicidade, com minhas meninas embaixo da asa, sem as noites de espera do barulhinho da chave na fechadura. Bastaria que as mensalidades estivessem em dia, para que as universidades, particulares, onde elas estudavam pensassem no resto. E o resto era mandar os alunos para o lugar mais seguro, cada um na sua casa. Reviveria os tempos felizes, em que não precisava me ocupar com o que estariam “comendo por aí”, já que refeições seriam limitadas à comidinha balanceada da mamãe, em horários combinados.   [Não que eu seja de comer com hora marcada, aliás, detesto. Mas sempre que houve necessidade de estabelecer comitê doméstico de crise, rolou uma certa ordem. Ressuscitava-se a frase: “isto a...

COMO NÃO DOMINO, EU CHUTO

- Por RICARDO SILVEIRA Alguns assuntos são como bola: os craques dominam e os demais dão de bico. Abaixo, uma lista de chutes em temas que não domino. Chuto que, em pouco tempo, muitas empresas vão descobrir que sobrevivem com menos metros quadrados alugados e que parte desse custo operacional vai migrar da coluna da despesa para o resultado dos balanços. Chuto que as pessoas ganharão um pouco mais de peso, o que deixará o futuro da indústria do espelho (termo que imagino ter acabado de inventar) um pouco mais animado. Chuto que todos enfim entenderão o valor do ar livre, negociando a favor dele o tempo antes dedicado às telas do mundo mobáio. Chuto que logo haverá uma overdose de telas e seus conteúdos. Chuto que todos teremos direito ao prazer de uma hora de banho de sol. Chuto que sentiremos como uma bênção esse prazer nos queimar o coração. Chuto que pais finalmente conhecerão seus filhos. E vice-versa. Chuto que a descoberta de um, dois ou mai...

QUARENTENA, GUARDA COMPARTILHADA E FAMÍLIAS AMPLIADAS

- Por DANIELA MARTINS O coronavírus chegou e todo mundo se trancou em casa. Por aqui somos eu, três filhos adolescentes e dois gatos. Os dias foram passando enquanto tentávamos acessar o site congestionado da escola para acompanhar as videoaulas e nos empanturrávamos de comida, porque quarentena dá uma fome louca. A quinta-feira foi chegando e com ela uma dúvida: devo mandar as crianças para a casa do pai na semana que vem? E se lá não estiver tudo neuroticamente desinfetado com álcool? Numa hora de medo, vou ficar longe dos meus filhos e eles vão dividir seus dias com a madrasta? Isso seria justo com ela? Pirei, é claro, mas sei que não estou sozinha no surto. Estou longe de ser a única a viver a realidade das novas famílias ampliadas, aquelas que apresentam configurações diferentes de pai, mãe e filhos vivendo sob o mesmo teto. Hoje, de acordo com o IBGE, 50,1% das famílias brasileiras agregam madrastas, padrastos, irmãos e avós emprestados, pais divorciados, mães ou ...