— Por SOLANGE REIS O celular tremeu. Decidi não atender, por mais adorável que Perth seja. Não conheço ninguém que more lá. Trinta segundos depois, voltou a estremecer. Vencida pela curiosidade, atendi. — Olá, aqui é Anna Kjestrup, da Etihad. Estou ligando para falar de sua passagem aérea para Madri. A voz tinha aquele tom impessoal de telemarketing e emendava uma palavra na outra, desafiando minha capacidade cognitiva para o inglês australiano. Era preciso escolher uma data nova que fosse até 30 de junho. O sistema não podia ficar em aberto. Tal qual a humanidade, a máquina precisa de respostas. — Não faço a menor ideia de quando vou viajar. Sabe...tem uma pandemia por aí. Anna insistiu rispidamente. Sete de junho! Sete de junho! — É uma ótima data. O número sete traz sorte. Que bom que ela gostou. A moça levou um minuto para acalmar o sistema e transferir a ansiedade deles dois para mim. Antes de eu ouvir que ...