Por Daniela Martins Quando fugi do Rio, lá pelos idos de 2010, prometi que só visitaria a cidade durante o inverno. Cumpri a promessa à risca durante a década seguinte, até que quebrei meus votos por amor. Sim, os apaixonados sempre cometem suas loucuras: eis-me no Rio em março, justamente o pior mês. Caminhava pela Ataulfo de Paiva rumo a Ipanema quando reparei que não havia uma única barata pelas calçadas, nem esmagada, nem seca, nem viva. Quase voltei a amar o Rio, mas logo me dei conta de que algo muito errado estava acontecendo. Jamais, em meus 46 anos, atravessei calçadas cariocas sem topar com uma barata. O Rio sem baratas é tipo a Andressa Urach virando crente: alguma coisa está fora da ordem, é o prenúncio de que vai dar merda. Da Praça Antero de Quental até a Nossa Senhora da Paz, contei mais de 20 pessoas vivendo nas ruas e pedindo ajuda para comprar um prato de comida. A situação geral piorou bastante com a pandemia, impossível não enxergar isso. Entrei na Casa ...