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GULODICE (Edu)

  por — Eduardo Muylaert       Fui traído pela memória e pela minha geladeira. Deixei sob sua zelosa guarda um precioso potinho de ovas de esturjão. Louco por uma segunda vez, abri o pote e dei de cara com a gosma verde que maculava o produto original. O sugestivo aroma de penicilina foi decisivo para o enjoo. Claro, a culpa foi minha, não respeitei a reiterada advertência. Certas coisas não têm volta, depois de abertas, devem ser consumidas de imediato. Ou descartadas, sem cerimônia e sem remorso. O prazer, como a história para Marx, pode se repetir como tragédia ou como farsa. A iguaria já cumprira o seu papel. Naquela noite inesquecível, com cenas de filme francês, as ovas pareciam caviar, o espumante fez as vezes de champanhe. No embalo, faltou o ponto final, não tive peito para o clássico “ the end ”.

VAMOS PERDER NOSSAS MEMÓRIAS?

Por EDUARDO MUYLAERT As cavernas virtuais, nossos discos rígidos e outros os meios de armazenamento, inclusive na nuvem, podem por tudo a perder. Acordei com o belíssimo artigo MEMÓRIAS DO FUTURO , de meu querido amigo e brother, o focassauro J. MARCELO ALVES , vulgo JOT A, para seus admiradores. Compartilho com ele algumas reflexões vindas de meu ensaio de 2015:  DIREITO E FOTOGRAFIA - DUAS PAREDES DA MESMA CAVERNA  (http://hdl.handle.net/10438/15740).  Quem me provocou, logo cedo, foi nossa chefe de redação, a dinâmica DANIELA MARTINS. Uma das alegrias da vida é estar cercado de pessoas tão inteligentes, interessantes e produtivas. A passagem para o século XXI foi marcada pela progressiva implantação da cultura digital. Só no fim do século XIX, bem depois da invenção da fotografia, é que Thomas Edson patenteou a lâmpada elétrica. O telefone chegou ao Brasil logo depois, junto com meio milhão de imigrantes. ...