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QUARENTENA, DIA 28

Por DANIELA MARTINS 12/4 - QUARENTENA, DIA 28. Um aprendizado da quarentena é que sempre haverá alguém dirigindo a 70 km/h na pista de alta velocidade, não importa que seja domingo, que seja o fim do mundo e que a estrada esteja vazia. Ultrapassei pela direita, num ato de transgressão em plena via deserta. Hoje morreram 99 pessoas no Brasil. Muita gente está relaxando os cuidados e achando que a epidemia não vai explodir por aqui. Vai, é claro, ainda mais se relaxarmos. Mas me incomoda demais avaliarmos 99 mortes em um único dia como coisa pouca, banal. A semana no Rio foi uma delícia. Minha cabeça ainda está presa no universo da série “ Tiger King ” e na informação de que existem mais tigres vivendo em cativeiro nos Estados Unidos do que na natureza. “São demais as loucuras desta vida, pra quem vê Netflix principalmente”, como já dizia Vinícius. Pesquisamos sobre a peste negra e tentamos imaginar a dimensão de uma doença que todo o conhecimento da época era incapaz de explic...

A MEXERICA BÚLGARA

- Por EDUARDO MUYLAERT Fantasia narrativa de um domingo de quarentena Houve um tempo em que a gente podia viajar e ver o mundo. Agora só nos restam lembranças e fantasias. Nunca vou esquecer da hospitalidade eslovena. A generosa acolhida apagou qualquer infortúnio do caminho. As decantadas surras do passado esmaeceram. Naveguei vagarosamente por águas eslavas. Escalei gostosamente certas elevações centro-europeias. Degustei longamente a mexerica búlgara. Não sei que língua falamos, mas fiz muitas vezes o caminho de Santiago que leva de Praga a Budapeste, idas e voltas, idas e vindas. No Castelo, fui Kafka, fui barata e fui processo. Ah, o Castelo.  Às vezes passava por Viena, deferência aos tabus do Dr. Freud. Na capital da Hungria me transformei em Robert Capa, o fotógrafo sedutor que deixou muitas mulheres chorando quando explodiu. Não, não morri, muitas e muitas vezes ressuscitei. Nem percebi quando acabaram minhas forças. Na manhã seguinte, não houve qualquer queixa, ...