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Mostrando postagens com o rótulo ATUALIDADES

TÁ LÁ O CORPO ESTENDIDO NO CHÃO

- por TONY GOES O Brazil não conhece o Brasil. O Brasil não merece o Brazil. A pátria amada mãe gentil matou, nas últimas 24 horas, dois filhos seus que não fugiram à luta. Primeiro foi Aldir Blanc, que contraiu a Covid-19 dentro do hospital onde foi se tratar de uma infecção urinária. O cara nunca saía de casa e, quando saiu, morreu. Depois foi Flávio Migliaccio, que simplesmente não aguentou mais a barra que estamos vivendo. Enquanto isso, Regina Duarte, a suposta secretária da Cultura, manda mensagem privada para a família de Blanc, ao invés de soltar uma manifestação oficial de pêsames. Ela, que um dia teve medo de um governo do PT, hoje se borra de pavor das olavetes, que iriam atacá-la nas redes por lamentar a morte de um "comunista".  Eu tive o privilégio de crescer ao som das letras de Aldir Blanc. Tive a sorte de, recém-ingressado na APCA, participar da votação que deu a Flávio Migliaccio o prêmio de melhor ator de TV de 2019. Ele não foi receber o prêmio:...

A DANÇA DE SHIVA

Por TONY GOES O hinduísmo também tem uma Santíssima Trindade, de atributos mais claros do que a cristã. Brahma é o criador; Vishnu, o preservador; e Shiva, o destruidor. Isto não quer dizer que Shiva seja um deus maligno. Sua destruição é sempre para melhor. Ele elimina o que não serve mais, abrindo caminho para a regeneração. Sua famosa dança, retratada em inúmeras estátuas, mostra que seus muitos braços conseguem atingir coisas diferentes. Pois eu acho que Sérgio Moro pode ser um avatar brasileiro de Lord Shiva. Longe de mim insinuar que o ex-juiz e ex-ministro seja um santo. Já sabemos de cor que ele não foi nada imparcial no processo que levou Lula à cadeia (o que tampouco quer dizer, veja bem, que Lula seja inocente). Mas Moro vem assumindo um papel inédito na história brasileira. Está em vias de se tornar o indivíduo que destruiu as carreiras políticas dos dois políticos mais importantes dos últimos 20 anos. Só os petistas deliram que Lula ainda tem chance de voltar à presid...

A FALA DO TRONO

- por TONY GOES Assistir a "The Crown" diminuiu minha admiração pela família real britânica. A série da Netflix me deu a impressão de que os Windsors são pouco melhores do que mafiosos, capazes das maiores sacanagens para manter seus privilégios. Mas hoje, Elizabeth R mostrou, mais uma vez, que está à altura do trono que ocupa. Tirando os tradicionais discursos de Natal, Sua Majestade deu o que foi apenas seu quinto pronunciamento especial à nação (os anteriores foram, pela ordem, por causa da Guerra do Golfo, a morte de Diana, a morte da rainha-mãe e o Jubileu de 2002). O tema da vez, é claro, foi a pandemia. A fala foi épica. Tecnicamente, Lilibeth é perfeita. Aos 93 anos, ela se mostra muito mais familiarizada com o teleprompter do que certos ex-presidentes em exercício. Sabe dar as pausas certas, com a entonação adequada, e sem usar óculos - imagina o tamanho que essas letras devem ter? O texto também está maravilhosamente bem-escrito. Cobre todas as bases, dos pêsames...

JEJUM DE LIDERANÇA

- por TONY GOES Depois de apanhar dos EUA na primeira Guerra do Golfo, Saddam Hussein subitamente se tornou um muçulmano fervoroso. Quando se sentiu ameaçado pela oposição, Nicolás Maduro passou a citar a Bíblia e a ser contra o casamento gay, coisa que a esquerda moderna apoia. Mijair Biroliro não precisou perder uma guerra nem ver a economia se esfarelar para se travestir de líder messiânico. Sem a menor capacidade intelectual para enfrentar uma pandemia, o máximo que ele conseguiu propor até agora, além do liberou-geral, foi um patético jejum nacional para este domingo. O bandido do Malafaia topou na hora, talvez para desviar a atenção de seu vídeo contra a quarentena removido do Twitter, do Facebook e do YouTube. O pastor mais sinistro do Brasil sugere que os fiéis jejuem apenas da meia-noite ao meio-dia, algo que muitos já fazem no fim de semana. Assim é mole. Quero ver seus seguidores passarem fome por 24 horas e depois encararem um ônibus lotado (até porque há poucos), com ...

HONEY, I'M HOME

                                          - por TONY GOES Estou me divertindo com o desespero de algumas pessoas, subitamente forçadas ao home office. Eu trabalho direto em casa há quase três anos, e tive outras experiências do gênero ao longo da minha carreira. É bom? É óóótemo. Para começar, não é preciso se embelezar, ou sequer se vestir, para trabalhar em casa. Eu não tenho um mumu havaiano como o que o Homer Simpson desfilou quando encarou um escritório caseiro, mas, neste exato momento, estou usando calças tailandesas esvoaçantes. Também é maravilhoso não ter que enfrentar o trânsito, e poder parar de repente para ver televisão. Há perrengues? Sim, claro. Quem tem criança em casa deve estar procurando um método para eliminá-las sem muita dor. Eu tenho minha mãe de 83 anos, que não entende muito bem o conceito de home office e vem de 15 em 15 minutos me pedir para mudar o ...

VARA CURTA CHUCHANDO O DRAGÃO

- por TONY GOES O populismo não sobrevive se não tiver muitos inimigos, quase sempre imaginários. É preciso galvanizar a massa ignorante contra o comunismo, os estrangeiros, os gays, a mídia. Nos EUA, Donald Trump foi aconselhado por um âncora da Fox News a se referir ao coronavírus como "o vírus chinês" - uma maneira de jogar para um país distante toda a culpa por uma crise que ele não tem competência para enfrentar. Por aqui, Zero-Três não tardou a copiar a tática, e ainda chuchou a China num dia em que seu pai pagou de trapalhão em rede nacional, lutando contra uma máscara (e perdendo feio). Distraiu a atenção de parte do público? Sim! Energizou os seguidores que ainda lhe restam? Sim! Criou um problema desnecessário com nosso maior parceiro comercial! Sim, sim, sim! Analistas alegam que a embaixada da China não tinha nada que responder, para não validar a provocação do Vara Curta. Acontece que uma ditadura não tem como ignorar os ataques, sob o risco de parecer frou...