Por DANIELA MARTINS 11/4 - QUARENTENA, DIA 27. Hoje eu comprei cinco máscaras de tecido na banquinha do seu João. Ou melhor, no escritório desse novo empreendedor individual, como a reforma trabalhista o define. Pois ele me disse que trabalha vendendo óculos escuros e de grau na calçada da Ataulfo de Paiva, altura do Talho Capixaba, há 25 anos. Com a chegada do coronavírus, teve que “diversificar a natureza do negócio”. Arregimentou costureiras no bairro onde mora, a Ilha do Governador, e passou a vender máscaras de tecido a 10 reais e garrafinhas de álcool em gel a 25 reais cada. Repara na cadeira de presidente que ele ocupa, empreendedor de si mesmo. É claro que ele está à margem do sistema e que vai precisar da ajuda de 600 reais do governo. Eu fico pensando nos que estão à margem de todas as margens, fora dos centros urbanos, vivendo numa falta de tudo que nem fazemos a real ideia. Como vão baixar o app disponível para apple e android e efetuar o cadastro de inúmeras pági...