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LE FRISSON DE PARIS (Edu)

par — Eduardo Muylaert Un frisson. Chaque fois que j’arrive à Paris c’est comme si c’était la première et la dernière fois. D’abord il y a eu le rêve, le songe de la ville dite Lumière, cliché plus qu’imparfait. Non, ce n’est pas la bohème de Montmartre, ses maisons closes, ses spectacles de travestis, qui m’ont fait venir. Ce sont plutôt les mémoires de Henry Miller et Anaïs Nin, Man Ray et Lee Miller, Picasso et Dora Maar, où bien Bataille et Dora Maar, ou encore le docteur Jacques Lacan et les électrochocs qui ont enlevé toute joie de sa cliente Dora Markovitch. Sartre et Simone, on peut toujours les lire. Barbara et la Greco, on peut toujours les entendre. Le quartier Latin, on peut toujours le parcourir, même si ce n’est plus celui de jadis. Mais pour connaître Paris il faut voir tomber la pluie qui remplit de reflets les rues, les trottoirs et la Seine, mouille la tête des passants et fait surgir les parapluies qui se frôlent agressifs ou tendres, tout...

A FOTOGRAFIA

Por - EDUARDO MUYLAERT Eu precisava encontrar aquelas fotografias. A vida não tem importância, mas a fotografia tem. Faz muito tempo, digamos 40 anos, acho que agora já são 50. Sabia que estavam numa caixa, sempre fui organizado. Quando o que procuro não aparece, a sensação é de que tudo está perdido, que um pedaço de vida se foi. As memórias são tênues, as imagens as reconstroem. As cartas se foram, que burrada. As que escrevi, história de todo aquele período, me foram carinhosamente devolvidas. Mas as coisas tinham mudando, o amor se tornara amargo, e os escritos foram raivosamente rasgados, jogados fora. Certas coisas são irreversíveis, o arrependimento é inútil. Claro, sobraram as cartas que recebi, e são muitas, de várias pessoas, múltiplos pontos de vista. Pronto, achei o envelope. Dentro, negativos e contatos em inocente promiscuidade. Não, não perdi as minhas imagens. Durante muito tempo não quis olhar para elas, a chamada fase da negação. Depois, vem uma espécie de esquec...