Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo J MARCELO ALVES

FOR A BOTTLE OF RUM AND A YO-HO-HO

Captura de tela do final do show do Alestorm em Tilburg, Holanda, 2019 –Por J MARCELO ALVES O rock'n'roll já é um senhor de mais de 60 anos. Eu quase escrevi "um respeitável senhor", como no cliché, mas não. Não seria rock'n'roll se fosse respeitável. Nessas décadas de idas e vindas, e mesmo estando em baixa ultimamente —não é o gênero musical dominante há muito—, o rock não para de gerar novidades para os muitos fãs de todas as idades ainda espalhados por aí. O rock se subdivide em vários subgêneros e dezenas de subsubgêneros e assim por diante. Roqueiro é bicho que gosta de dividir e classificar, aparentemente. Só dentro do metal, meu subgênero preferido, tem um monte de subtipos: power metal , doom , black , thrash , folk , speed , sinfônico, death , progressivo (mais pesado que seu parente, o rock progressivo, não confunda), metalcore , nu-metal , viking metal e por aí vai . Eu particularmente tenho ouvido bastante folk metal já há muitos ano...

SUÉCIA E SÚCIA

–Por J. MARCELO ALVES Nesta quinta (14), ao ser questionado sobre a diferença na mortalidade causada pela Covid-19 no Brasil e na Argentina, o elemento que ocupa a cadeira de Presidente da República no Brasil desafiou: "É só você fazer a conta por milhão de habitantes" —aparentemente, e como de costume, ele não sabia do que falava ou não pensou antes de falar. Provavelmente ambos. Alvo fácil, sitting duck como se diz em inglês; imediatamente apareceram gozações e artigos explicando por que a comparação usando a métrica normalizada por população é ainda pior para o governo brasileiro do que usar os números absolutos. Ficam ainda mais óbvias sua incompetência e falta de preparo. Como ilustrado no gráfico acima, com dados desta semana, a quantidade de mortes por Covid-19 no Brasil é mais de oito vezes superior à argentina —lembrando que nuestros hermanos implementaram políticas de restrição à movimentação e às atividades econômicas muito mais precoces e severas que a...

ESCUTA, POIS ELES SABEM

–Por J. MARCELO ALVES Aconteceu há pouco uma transmissão ao vivo pelo YouTube, no Canal USP e com moderação do jornalista Herton Escobar , de cinco palestras curtas mais sessão de perguntas do público (link) sobre os desafios científicos e como vencer a pandemia. Tudo feito remotamente, claro, incluindo as mensagens da plateia virtual. O evento teve uma hora e meia de duração ao todo, foi seguido até o fim por cerca de mil e quinhentas pessoas, segundo o contador da plataforma, e vale a pena ver, mesmo que por vezes a linguagem dos palestrantes tenha sido mais técnica. Isso não deve ter incomodado boa parte da audiência que se manifestava no quadro de mensagens, uma vez que muitos se identificavam como parte de universidades e centros de pesquisa, e entre eles muitos nomes de pessoas conhecidas no meio científico. Houve até a ilustre presença no quadro de mensagens de um robô (ou troll de carne e osso, quem sabe?) bolsonarista e anti-isolamento, a Lina —não me lembro do sobr...

A GRANDE SELEÇÃO

Darwin sendo sarcástico em meme que tem circulado ultimamente. -Por J. MARCELO ALVES Torço para que não, mas temo que estejamos no meio de um experimento evolutivo natural em larga escala. Se sim, apertem os cintos que a natureza não se importa absolutamente nada com suas cobaias. Muito se fala hoje na imunidade de rebanho, ou seja, a proteção da população contra uma doença simplesmente porque a maioria dos indivíduos é imune e, portanto, não passa o agente infeccioso para pessoas suscetíveis —efetivamente, essa maioria funciona como um escudo ao redor da pessoa suscetível, diminuindo a chance de encontro com o patógeno. A esperança destes tempos, claro, é que os sobreviventes da Covid-19 desenvolvam tal imunidade. Até o momento, e como esperado pelo que conhecemos de outros vírus aparentados ao Sars-CoV-2, parece realmente que a imunidade é adquirida e deve nos proteger, talvez por um a três anos. Houve alguns relatos de supostos curados tendo contraído o patógeno novament...

MEMÓRIAS DO FUTURO

-Por J. MARCELO ALVES Resisti, mas não posso me furtar a escrever sobre o assunto que não sai da boca do povo nos últimos dias. Como será o futuro de nossas memórias em um mundo de rápida evolução tecnológica? Um papel ou inscrição na pedra você lê por séculos ou milênios, se entender o idioma. Mas vamos conseguir abrir nossos arquivos de áudio, vídeo, imagem, texto e outros daqui a dez anos? E vinte? Cinquenta? O tema surgiu um dia desses em conversa com os Focassauros, mas eu também havia trocado ideias sobre isso uns dias antes com um colega de trabalho ao falar de nossas frustrações ao mandar arquivos para outras pessoas. A discussão, no entanto, não é novidade e existem muitos textos sobre o assunto, há muitos anos. E ainda assim muita gente não tem ideia de sua importância . O primeiro nível do problema está nas mídias onde nossas memórias são salvas. Toda família deve ter umas fitas K7 (áudio) ou VHS (vídeo) enfurnadas em alguma caixa no fundo de um armário, sem ter ...

ELES LÁ FORA E NÓS AQUI DENTRO

Sabiá-laranjeira espreitando o telhado da nossa garagem neste domingo -Por J. MARCELO ALVES Apesar do que eu temia no começo , me acostumei com a rotina do teletrabalho. Claro, ainda não é a mesma coisa que estar na minha sala na universidade, conversando com as pessoas diretamente, com os equipamentos ali do lado, acessados em alta velocidade. E a cadeira aqui de casa teima em continuar não sendo a mais adequada. Mas entrei em uma rotina que funciona, que é o que importa, e as aulas continuam sendo tocadas até que sem grandes problemas, depois de alguns ajustes. Quando a gente fica em casa, há a vantagem de mais tempo para deixar a mente divagar nos intervalos do trabalho --idealmente, tem que levantar do computador e dar uma espraiada a cada duas horas, no máximo. E é aí que a gente observa as pequenas coisas às quais não temos acesso na proverbial correria do dia-a-dia. E, no fim, acho que a vida é feita mesmo é das pequenas coisas, se me perdoam a filosofia de buteco. ...

O QUE VOCÊS TÊM A PERDER?

- Por J MARCELO ALVES Na coletiva do último domingo (4), o presidente estadunidense mais uma vez promoveu o uso de um medicamento com poucos testes de qualidade e evidências controversas de sucesso contra a Covid-19. Dentre as coisas que não se espera ouvir de um chefe de estado, em especial o do país mais poderoso e influente do mundo, ele disse novamente que as pessoas deveriam usar a droga pois, afinal, "what do you have to lose?" Trump e seus miquinhos amestrados d'álém mar querem que o tal medicamento seja usado em todos pacientes que tiverem diagnóstico positivo de infecção pelo vírus SARS-Cov-2 --e até por aqueles que nem têm diagnóstico confirmado, mas apresentam sintomas suspeitos. Ele se referia, claro, ao uso da já notória hidroxicloroquina (HCQ), desgraçadamente politizada até o osso por alguns políticos desesperados por encontrar algo que os salve nesta pandemia. No entanto, a droga em questão não vem ao caso, necessariamente. Quero abordar a pergun...

A TAL DA CLOROQUINA

- Por J. MARCELO ALVES Nestes tempos de preocupação com a Covid-19, todo mundo sai procurando informação como pode. Um amigo meu me mandou um áudio outro dia com uma pergunta: cloroquina e fosfato de cloroquina são a mesma coisa? "Me manda aí um parágrafo explicando!" Uma discussão entre leigos em um grupo de WhatsApp dele estava pegando fogo com isso e, sabendo que sou cientista, ele resolveu me perguntar. Não sou químico, e sim biólogo, mas tentei ajudar baseado no pouco de química que estudamos em nossa formação. A discussão no grupo se devia à notícia da morte de um americano que, junto com sua esposa (ainda internada em estado grave na época da notícia), havia ingerido, acredite se quiser, uma forma de cloroquina encontrada em um produto usado para limpar aquários. Alguns no grupo estavam dizendo que era fosfato de cloroquina, a mesma coisa que o medicamento vendido para controlar malária e que ficou famoso recentemente quando o presidente Trump, em meio a vária...

O QUE VOCÊ ESTÁ OUVINDO?

- Por J. MARCELO ALVES A Chris perguntou outro dia: o que você está lendo ? A ideia dela, ótima, é de vez em quando postarmos sobre livros que estejamos lendo nesses dias de atividades reduzidas fora de casa. Vou "roubar" a ideia e perguntar: o que você está ouvindo ? Domingo (ontem) passei a maior parte da tarde fazendo uma tarefa daquelas para esvaziar a mente: raspar tinta velha, de décadas, de uma grade de ferro aqui em casa. Uma delícia, nada de redes, nada de notícias, nada de nada. Só que, para mim, sempre tem música --se não estiver tocando fora, toca dentro da minha cabeça, frequentemente. Então é claro que eu tinha que colocar algo para tocar enquanto eu usava a espátula na grade. Sempre gostei da banda texana ZZ Top , ouço músicas deles há muitos anos e fui a uma apresentação deles quando morava nos EUA. Com o passar dos anos, fui passando a entender cada vez mais a genialidade dos três americanos e sua mistura de blues e rock. É o tipo de música que ...

TRABALHAR EM CASA… SERÁ?

- Por J. MARCELO ALVES Não estou como o amigo Tony Goes, que está se divertindo “com o desespero de algumas pessoas, subitamente forçadas ao home office ”. Sou uma dessas pessoas. OK, sem exageros, não estou propriamente desesperado (por enquanto) mas ainda não me adaptei ao esquema de teletrabalho. Às vezes acho que não vou me adaptar. Sempre admirei as pessoas, como minha esposa, que conseguem ter a disciplina necessária para trabalhar a partir de casa. Hora para começar, terminar, intervalos e refeições, resistir ao buraco negro que é minha cama quando bate aquela sonolência no meio da tarde... E como, às vezes, não trabalhar além da conta? A gente se distrai e vai indo, e quando vê está se matando de burn out . Além disso, talvez mais importantes para mim sejam o ambiente e a rotina. Se estou sentado na minha sala na universidade, meu cérebro fica num modo de funcionamento diferente daquele em que está se estou sentado na frente do meu computador em casa. Tem sido muito...