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Mostrando postagens com o rótulo QUARENTENA

Quarentena, ano 2: vivendo com força a distopia

  Por Daniela Martins Quando me mudei para Brasília, em janeiro de 2010, havia um clima de alegria no ar, era inegável. O Brasil vivia tempos de mudança social intensa e de muita esperança no futuro.  Na rampa do Congresso Nacional, que visitei com meus filhos ainda bem pequenos naquela ocasião, alguém havia deixado um recado escrito com batom vermelho: “Valeu, Lula!”.  Fiquei encantada com aquela irreverência, com aqueles palácios da Praça dos Três Poderes, tão importantes, todos sem muros ou grades, com os garotos descendo as laterais do gramado em folhas de papelão.  Um ano depois, o país elegia a primeira mulher para a Presidência da República. Nós comemoramos, rodamos a cidade acompanhando o buzinaço alegre dos carros. Eu realmente acreditava que meus filhos veriam um país muito diferente do Brasil da ditadura em que eu cresci.  Essa certeza começou a mudar com aquele processo vergonhoso de impeachment da Dilma.  A foto que ilustra este post eu tirei n...

QUARENTENA, ANO 2 - É verdade esse bilete

Por Daniela Martins Desci depois da chuva para ir até a farmácia e acabei dando uma volta no quarteirão. Depois de dias sem colocar o nariz pra fora de casa, é preciso esticar as pernas. Quando dobrei a esquina da Itambé, vinha subindo um catador, desses que recolhem papelão nas ruas, puxando sua carroça. A carroça era um acontecimento: caixa de som com um rock nas alturas e uma bandeira dos EUA hasteada, orgulhosa. Até agora tento compreender a cena... Um novo “empreendedor” de si mesmo? Um trumpista tropical? Um trabalhador desiludido com seu próprio país? Um amante do rock? Um nascido em 4 de julho? Não era mesmo fácil de entender. Mas tá todo mundo meio louco, nem convém ficar buscando sentido nas coisas atualmente. O dia já não tinha sido fácil. O sociopata que ocupa a Presidência havia implementado uma reforma esquisita e trocado seis ministros, entre eles o da Defesa. Na esteira dessa demissão, os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica colocaram seus cargos à...

QUARENTENA, ANO 2 - Meu encontro com o Mestre dos Magos

  Por Daniela Martins As praias estão novamente desertas, as lojas fechadas, tudo exatamente como há um ano.  Em março de 2020 o Brasil tinha 165 mortos. No total.  Em março de 2021 os mortos passam de 3 mil. Por dia. A sensação é de que estamos vivendo em um looping  que piora a cada volta. Em progressão geométrica. O cenário atual não é bom no mundo inteiro, a pandemia vem e vai em ondas, obrigando os governos a adotar medidas de isolamento e a acelerar a vacinação de suas populações. No Brasil, o quadro é desolador, porque o presidente da República se recusa a liderar as ações de combate à doença. Pressionado pelo escandaloso número de 300 mil cidadãos mortos, ele se viu obrigado a fazer um pronunciamento à nação ontem à noite. Além de despejar sua costumeira cascata de mentiras, como afirmar que sempre defendeu a compra de vacinas, ele finalmente se solidarizou com a dor das famílias que perderam parentes para a doença. Depois de um ano. Depois de 300 mil ...

QUARENTENA, ANO 2 - Já é Natal no Leblon!

Por Daniela Martins Quando fugi do Rio, lá pelos idos de 2010, prometi que só visitaria a cidade durante o inverno. Cumpri a promessa à risca durante a década seguinte, até que quebrei meus votos por amor. Sim, os apaixonados sempre cometem suas loucuras: eis-me no Rio em março, justamente o pior mês. Caminhava pela Ataulfo de Paiva rumo a Ipanema quando reparei que não havia uma única barata pelas calçadas, nem esmagada, nem seca, nem viva. Quase voltei a amar o Rio, mas logo me dei conta de que algo muito errado estava acontecendo.  Jamais, em meus 46 anos, atravessei calçadas cariocas sem topar com uma barata. O Rio sem baratas é tipo a Andressa Urach virando crente: alguma coisa está fora da ordem, é o prenúncio de que vai dar merda. Da Praça Antero de Quental até a Nossa Senhora da Paz, contei mais de 20 pessoas vivendo nas ruas e pedindo ajuda para comprar um prato de comida. A situação geral piorou bastante com a pandemia, impossível não enxergar isso.  Entrei na Casa ...

UM DIA DE CADA VEZ, o caruncho

Desde há muito tempo aderi aos orgânicos, mas na era pré pandêmica me atinha principalmente às frutas, verduras e legumes. Além disto, desde que meu ninho esvaziou deixei de estocar o que quer que fosse. A pandemia mudou tudo. Descobri um hortifruti sensacional, compra online, entrega em domicílio. E que, além dos vegetais frescos, tem grãos -o melhor milho de pipoca de todos os tempos- açúcar demerara, mel, molho de tomate pronto, farinhas. Aderi entusiasticamente. E cometi a bobagem de comprar mais feijão do que sou capaz de comer. Hoje fui buscar o último pacote para cozinhar. No fundo de uma das caixas de plástico, brancas, em que guardo meus mantimentos, percebi pontinhos pretos. Imaginei que fosse um saquinho de linhaça que tivesse furado. Só que a linhaça se movia, reparando bem. Tirei a caixa de dentro do armário para ver melhor. Minhas amigas, meus amigos, faltam-me recursos narrativos... Conheci caruncho muito bem. Criança bem novinha, morei certa vez em uma casa que tinha mi...

ZUM

Por RICARDO SILVEIRA O que eu tenho vivido nas telas de reunião. Tenho visto caras que não eram feias e boas almas com sacos lotados. Tenho ouvido gastura. Tenho visto pessoas mais gordas e cenhos mais pesados. Tenho visto sorrisos cansados, que ajudam a cansar o meu, e isso quando há. Tenho visto gente que prefere ficar atrás da cortina do dark ou do mute. Tenho ouvido teses sobre isso, até etiqueta sobre isso já tem, mas não consigo montar uma, a minha, a não ser o fato de ver nesse sumiço uma versão da liberdade de expressão que esta tecnologia da reunião remota nos dá. Tenho visto gente que está ali só a bater seu relógio de ponto. Tenho visto fundos de tela algo engraçados, mas com um humor que não pega brasa, só fumaça, feito lenha orvalhada. Tenho visto decorações pálidas no fundo e faces de ainda maior palidez na frente. Tenho notado mais pontualidade. Meu mundo pré-covid parecia menos atento a ela. Tenho notado que se quer começar logo para acabar com o telefar...

QUARENTENA, DIA 65

Por DANIELA MARTINS 19/5  - QUARENTENA, DIA 65. Hoje morreram 1.179 brasileiros por Covid-19. Assustador demais. Morreu também João Pedro Mattos, de 14 anos, morador de uma favela da região metropolitana do Rio de Janeiro. Mais um adolescente negro vitimado pela atuação da polícia brasileira, que pode ser chamada de qualquer coisa, menos de ação de segurança pública. Tristeza profunda por tudo, por nós, por elegermos políticos que enaltecem a violência como discurso e método. Com que futuro podemos sonhar assim?

QUARENTENA, DIA 62

Por DANIELA MARTINS 16/5 - QUARENTENA, DIA 62. Com quase 4.700 vidas perdidas, o estado de São Paulo superou a China em número de mortes por Covid-19. O Brasil perdeu hoje mais 816 cidadãos para o vírus. A melancolia do dia frio foi aplacada pela live que rolou num dos terraços do bairro, acompanhada e aplaudida pelos vizinhos. Eu e a Teca acordamos bem cedinho e tomamos café da manhã juntas. Os irmãos mais velhos aproveitaram para dormir até tarde, livres das videoaulas. Fiz arroz de carreteiro para o almoço, enquanto sonhava acordada com um piquenique num gramado qualquer. Fiquei com saudades dos nossos piqueniques deliciosos no Parque da Cidade, em Brasília, e no Jardim Botânico aqui de São Paulo, do meu famoso sanduíche de atum com pepino crocante, que nunca faltava. Parece tudo tão distante agora... Que bom que temos essas pequenas lembranças de dias em que fomos felizes sem nenhuma razão especial... Marcamos uma sessão de cinema na sala e eu preciso ajeitar tudo. Va...

QUARENTENA, DIA 60

Por DANIELA MARTINS 14/5 - QUARENTENA, DIA 60. A manchete principal do maior jornal do país é a seguinte hoje: “Não vou esperar f. minha família toda de sacanagem”, disse Bolsonaro em reunião, segundo AGU. O inquérito que apura a interferência política do presidente na Polícia Federal está a todo vapor, e o que vem à tona é desse nível pra baixo. Nossa viagem coletiva para o fundo do fundo do poço está acelerada, convém apertar os cintos. Tivemos 844 mortos nas últimas 24 horas, mas isso não parece ser suficiente para fazer o governo assumir a sua responsabilidade de liderança. No meio disso, me arrastando de desânimo como todos os brasileiros, eu fiz almoço, lavei uma pilha de louças, limpei a casa, assisti a um webinar e uma live, participei de uma videochamada, cuidei de contas em redes sociais e fechei um texto. O aparelho ortodôntico da filha caçula quebrou e consegui uma consulta de emergência durante a tarde. O consultório parecia um filme de ficção científica, com...

QUARENTENA, DIA 58

Por DANIELA MARTINS 12/5 - QUARENTENA, DIA 58. E chega o dia em que a gente começa a receber notícias da morte dos amigos. É assim, sem aviso prévio, no meio da tarde, no meio da cara. Cleber passou mal na quarta-feira e foi internado. O coronavírus o levou hoje, junto com outros 880 brasileiros. Rápido assim, ninguém nem soube da doença. Ele foi meu colega de turma na faculdade de museologia, lá no início da década de 90. A palavra que o definia era alegria. O tempo passou e nos reencontramos pelas redes sociais, a turma toda. Cada um mais diferente do que o outro, a maioria trabalhando em outras áreas, assim como eu. Cleber continuava com a mesma alegria da juventude, e é assim que vamos nos lembrar dele. E também nos lembraremos do olhar sensível que ele expressava através de belas fotografias. Tomo a liberdade de trazer algumas para este diário, como uma homenagem. Em meio às fotos, ele costumava postar de vez em quando uma frase direta, em fundo preto: FORA BOLSONARO...

QUARENTENA, DIA 57

Por DANIELA MARTINS 11/5 - QUARENTENA, DIA 57. O diário ficou sem duas páginas. É provável que fique sem algumas outras pela frente, porque diário é assim mesmo. Tem dias em que a gente escreve pra aplacar a raiva, tem dias em que a gente escreve para relembrar momentos marcantes, e tem outros dias em que a gente simplesmente não escreve. Mas é claro que eu acompanhei com tristeza a marca dos dez mil mortos e vi o presidente dando uma relaxada de jet ski, arreganhando para o mundo a sua grosseria, a falta de grandeza e empatia. Acabei de ver no jornal que o ministro da Saúde estava numa entrevista coletiva e foi informado pela imprensa de que o presidente liberou a reabertura de academias de ginástica e salões de beleza sem nem ao menos consultá-lo. Resolvi voltar a escrever só pra registrar isso e tentar entender o que fazem essas pessoas insanas e irresponsáveis à frente de um país. É difícil de aceitar. No meio de tudo isso, teve o Dia das Mães e eu reuni novamente a min...

QUARENTENA, DIA 54

Por DANIELA MARTINS 08/5 - QUARENTENA, DIA 54. A noite de ontem foi desesperadora para todos os que trabalham na área cultural. A secretária especial da Cultura, Regina Duarte, protagonizou uma entrevista vexaminosa, deixando evidente que a pasta está completamente à deriva. Pior, ficou ainda mais claro que toda e qualquer estrutura que por sorte tenha conseguido se manter de pé durante o processo de destruição do Ministério está com os dias contados na “gestão” de Regina. Ela não tem ideia do que esteja fazendo à frente da Secretaria Especial. Nós também não entendemos. Em quase dois meses de crise, nenhuma ação concreta foi proposta para o setor. Depois da performance nazista do secretário anterior, a atual nomeada apresentou um show de horrores na TV e acabou de vez com qualquer esperança de apoio para atravessar o caos que artistas e técnicos ainda imaginariam ter. Regina anunciou que tinha “tanta coisa bacana pra falar”, mas acabou deixando os jornalistas e os especta...

QUARENTENA DIA 53

Por DANIELA MARTINS 07/5 - QUARENTENA DIA 53. Hoje é a festa de Vesak, a celebração que eu mais gostava de acompanhar lá no Templo Budista de Brasília, do qual fui vizinha durante um tempo. Acho que não poderão fazer a procissão das velas este ano, porque seria muito arriscado juntar tanta gente. Mas eu aprendi com eles que a primeira Lua cheia de maio é chamada de Lua de Buda e marca a data de nascimento, de iluminação e de morte de Sidarta Gautama, o primeiro Buda. A festa tem o propósito muito bonito de nos lembrar que, se o nascimento e a morte nos são comuns, também está ao alcance de cada um de nós a iluminação. Aprender a lidar com o medo, com o apego e com a raiva. Ser maleável às inconstâncias da vida. Quem consegue isso já se ilumina. Não é coisa reservada aos santos, não depende de nenhum deus, não é por obrigação ou por obediência. É uma busca pessoal. Os reflexos de cada luz que se acende brilham sobre a humanidade como um todo. É um pensamento bonito esse, que...

QUARENTENA, DIA 52

Por DANIELA MARTINS 06/5 - QUARENTENA, DIA 52. Segundo dia seguido com 600 mortes oficiais por Covid-19 no país. Foi até um dia produtivo de trabalho no plano pessoal, mas isso perde a importância frente à escalada do número de mortos. Saudade dos amigos, dos parentes. Saudade da vida fora das telinhas de celular. É muito difícil ver a situação se deteriorar a cada dia e ter a certeza de que dias piores virão. Impotência, esse é o nome do sentimento de hoje.

QUARENTENA, DIA 49

Por DANIELA MARTINS 03/4 - QUARENTENA, DIA 49. A Dutra estava bastante movimentada para um domingo, mas pelo menos não choveu. Sem ponte aérea e sem correria, a viagem entre São Paulo e Rio tem sido a aventura da quarentena, além de um prazer. Mesmo a descida da Serra das Araras, que seria absolutamente perigosa até para uma charrete. É bem louco isso, mas o fato é que a estrada que liga as duas maiores cidades do país tem um longo trecho que deixa todos os motoristas tontos e precisa realmente ser percorrido a 40 km/h para evitar acidentes sérios. Cada caminhão descendo aquilo é um susto. Desci pensando que assim também é a vida. A gente tá num ponto e planeja chegar num outro, mas essa linha jamais será reta e sem sustos e perigos. O importante é manter-se sempre engrenado, como mandam as placas. Enquanto eu viajava, inclusive na batatinha, e cruzava com quatro ambulâncias pelo caminho, o presidente radicalizava seu discurso em Brasília: “Tenho certeza de uma coisa, nós...

QUARENTENA, DIA 45

Por DANIELA MARTINS 29/4 - QUARENTENA, DIA 45. Ainda não consegui digerir ou comentar o “E daí” do presidente. Mais de cinco mil pessoas perdem a vida para a Covid-19 e o Covard-17 vem a público demonstrar toda a sua falta de empatia e psicopatia, além da completa incapacidade de assumir responsabilidade. Nada disso é novidade, só vai ficando a cada dia mais evidente e inquestionável. O que mais assusta, no entanto, é que um em cada três brasileiros continua apoiando Bolsonaro. O dia começou com o um ministro do Supremo suspendendo a posse do diretor-geral da PF indicado pelo presidente. O novo ministro da Justiça tomou posse à tarde, saudado pelo presidente como “terrivelmente evangélico”, como se isso fosse alguma credencial positiva para um ocupante de cargo público. Em seu discurso, Bolsonaro deixou entrever que ainda não teria desistido de emplacar o amigo de sua família no comando da Polícia Federal. Precisaremos aguardar os próximos capítulos desse filme B. O Velho d...

QUARENTENA, DIA 43

Por DANIELA MARTINS 27/4 - QUARENTENA, DIA 43. Uma filha fazendo os deveres da escola vigiada por um gato, a imagem da tranquilidade e da segurança no meu universo particular. Mas eu sei que, enquanto eu estou trancadinha com os meus filhos, o mundo lá fora já contabiliza mais de três milhões de infectados e cerca de 210 mil mortos. No Brasil, 338 pessoas perderam a vida hoje. É assustador. O pior da quarentena não é estarmos confinados fisicamente, mas estarmos presos num tempo sem futuro, porque qualquer plano que fizermos é incerto enquanto não existir um remédio ou uma vacina contra o vírus. Conviver com a incerteza nunca foi o ponto forte da humanidade. Temos uma enorme necessidade de obter respostas para nossas dúvidas, e as perguntas não respondidas se transformam prontamente em angústias. Religiões, terapias das mais diversas, ciganas e cartomantes ajudam a clarear nossos caminhos e aplacar os questionamentos, mas, durante a pandemia, o futuro nublou de vez. Não dá ...

QUARENTENA, DIA 42

Por DANIELA MARTINS 26/4 - QUARENTENA, DIA 42. Iniciei a nova semana decidida a ser mais produtiva. Considerei a semana passada uma sucessão de dias de vida perdidos, porque simplesmente não consegui fazer nada que tentei. Uma amiga me disse que precisamos de intervalos assim de vez em quando. Ok, que seja, mas prefiro quando consigo ao menos terminar o que começo, já é uma alegria. Pois acordei hoje e fiz exercícios. Quando acabei a série, me belisquei e conferi: sim, eu estava acordada mesmo! E suada, coisa que detesto. Não acompanhei o noticiário, achei que podia ter um domingo de tranquilidade. Resolvi ler “A Peste”, de Camus, que era uma lacuna na minha biblioteca até agora e que é o livro do mês do meu grupo literário lá de Brasília. Foi só baixar o PDF e, pimba, o algoritmo me trouxe essa obra prima da contemporaneidade em forma de propaganda de um site de vendas. Outro dia mesmo, eu me achei radical demais na minha crítica sobre ser prisioneira de um iPhone , mas ...

QUARENTENA, DIA 41

Por DANIELA MARTINS 25/4 - QUARENTENA, DIA 41. Ontem foi um dia longo. Depois da demissão do ministro da Justiça e do pronunciamento surrealista do presidente , ainda vimos Moro mandar para o Jornal Nacional prints de conversas suas com Bolsonaro e com a deputada e afilhada Carla Zambelli, que provariam que o presidente queria mesmo interferir na PF e que ele, Moro, não teria pedido o cargo no STF. É interessante acompanhar a elasticidade do entendimento de Moro sobre aceitar ou não conversas de WhatsApp como provas. Contra seus adversários, são válidas. Contra ele mesmo, como as reveladas pela série de reportagens da Vaza Jato, são inadmissíveis. E se Bolsonaro questionasse a veracidade do print, como fez Moro naquela ocasião? A nação acordou de ressaca e passou o dia acompanhando os posts dos eleitores arrependidos de Bolsonaro. Os lavajatistas ficaram furiosos com o presidente. Eu tive vontade de perguntar a cada um deles que poção mágica eles beberam para ter escutado cad...

QUARENTENA, DIA 40

Por DANIELA MARTINS 24/4 - QUARENTENA, DIA 40. Depois de 40 dias, não sei se devo zerar o contador e recomeçar o que seria a segunda quarentena.  O ministro Sérgio Moro pediu demissão pela manhã e desceu a vara no presidente. Disse que Bolsonaro queria interferir politicamente na PF e que pediu relatórios das investigações em curso. Acusações graves.  Ansioso, o país aguardou até o fim da tarde pela resposta do presidente, que fez um pronunciamento surrealista, cercado por todo o seu ministério. Falou coisas desconexas sobre aquecimento de piscinas e Inmetro, proferiu palavrão e se colocou como vítima de uma PF que, no seu entendimento, não investigaria as calúnias levantadas contra ele e que teria dado mais importância à investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco do que à tentativa de assassinato que ele mesmo sofreu durante a campanha.  Ainda acusou o ex-ministro de ter condicionado a troca do diretor da PF à sua indicação para o STF....