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O COLAR DE BETSABÉIA (edu)

  Por — EDUARDO MUYLAERT A primeira vez que o vi, fiquei totalmente fascinado. Eu tinha 26 anos, fazia uma pós em história natural em Nova Iorque, o dinheiro só dava para refeições ligeiras na cantina da faculdade. Uma amiga me mostrou a joia num catálogo, soube que estava, afinal, ao alcance de todo mundo.   Claro, nunca é para “todo mundo”, só para quem pode, e eu, efetivamente, não podia, não naquele bendito ano 2000, mesmo tendo sobrevivido ao “bug do milênio”. O mundo, felizmente, não acabara. Ainda não. A peça parecia, mal comparando, um exótico colar de índios da América Central, mas com um distintivo toque art déco . Eram legítimos tubos de coral, entremeados de contas de turquesa e ônix, tudo combinado com pequenos diamantes, numa corrente de platina e ouro. Nem me   interessei pelo preço, não era para o meu bico mesmo, eu não pertencia àquele mundo. Fiquei me perguntando, porém:   por que uns têm tanto, e outros quase nada? O dinheir...