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QUARENTENA DIA 53

Por DANIELA MARTINS 07/5 - QUARENTENA DIA 53. Hoje é a festa de Vesak, a celebração que eu mais gostava de acompanhar lá no Templo Budista de Brasília, do qual fui vizinha durante um tempo. Acho que não poderão fazer a procissão das velas este ano, porque seria muito arriscado juntar tanta gente. Mas eu aprendi com eles que a primeira Lua cheia de maio é chamada de Lua de Buda e marca a data de nascimento, de iluminação e de morte de Sidarta Gautama, o primeiro Buda. A festa tem o propósito muito bonito de nos lembrar que, se o nascimento e a morte nos são comuns, também está ao alcance de cada um de nós a iluminação. Aprender a lidar com o medo, com o apego e com a raiva. Ser maleável às inconstâncias da vida. Quem consegue isso já se ilumina. Não é coisa reservada aos santos, não depende de nenhum deus, não é por obrigação ou por obediência. É uma busca pessoal. Os reflexos de cada luz que se acende brilham sobre a humanidade como um todo. É um pensamento bonito esse, que...

A CONSTITUIÇÃO É O NOSSO LIMITE

Por EDUARDO MUYLAERT Os homens e mulheres de imprensa, que estão no terreno,  são nossos olhos e ouvidos,  não podemos deixar que sejam feridos.     Domingo, que costumava ser o dia do Senhor, virou o dia do Apocalipse. Vimos jornalistas sendo agredidos por manifestantes, em frente ao Palácio do Planalto. Bolsonaro estava visivelmente animado com os protestos contra o Congresso e o Supremo. Sentindo-se afinal apoiado, declarou que seu governo chegou “ao limite”, seja lá o que isso quer dizer. Quanto à agressão, se houve, só pode ser obra de infiltrados, ou malucos. Já vimos essas cenas antes. A agressão física foi uma das armas que Hitler usou para implantar o nazismo na Alemanha. Quantas vezes o cinema já mostrou as cenas de milícias agredindo pessoas nas ruas de Berlim, nos anos 1930? Compostas por desempregados, ex-militares, desajustados de qualquer espécie e até criminosos comuns, espalhavam o terror junto aos inimigos de Hitler, por meio da surr...

QUARENTENA, DIA 32

Por DANIELA MARTINS 16/4 - QUARENTENA, DIA 32. O presidente demitiu o ministro da Saúde em plena pandemia. Não aguentou ver alguém se sobressair a ele e, pior, contestar publicamente seus atos e palavras inconsequentes. Não que o ministro tivesse credenciais maravilhosas, vale lembrar que sua plataforma política nunca foi a de defesa do SUS, mas dos planos de saúde privados. Não tem santo nenhum aqui, até porque ele fazia parte do Governo Bolsonaro, e isso já depõe contra qualquer um. Mas veio a crise e o ministro se colocou como uma luz minimamente sensata, sem embarcar na canoa cloroquinista e no tal isolamento vertical, que todo mundo sabe que é furadíssimo no atual estágio da curva de contaminação do país. Só isso aí já torna o cara um baluarte da ciência nesta nova Idade Média que atravessamos. Tipo um monge que ao menos sabe ler. Eu fiquei pasma mesmo foi ao saber que alguém havia aceitado assumir o cargo e entrar neste governo a esta altura dos fatos. Mas a real é qu...