Por RICARDO SILVEIRA Preciso falar sobre Norma. Norma é minha vassoura elétrica que foi promovida a aspirador ou, numa visão mais pessimista, um aspirador que perdeu peso e foi rebaixado a vassoura. Eu e Norma temos nos encontrado com frequência diária e matinal, enquanto o mundo faz Teleyoga Primeiro Grau. Norma trabalha em dois modos. O primeiro, mais ruidoso, é o “vamos limpar logo essa droga”. O segundo, meu predileto, é o suga-quieto, mais lento mas nem por isso menos eficiente. Suga-quieto é mais indicado especialmente se a faxina for simultânea ao Teleyoga. Norma tem um defeito. Seu saco é pequeno. Então, a cada dez minutos, é preciso abrir Norma pelo avesso e manter contato visual e tátil com o submundo de sofás e poltronas. Dejetos que, antes do corona, eu nem sabia que pudessem existir. Esse é um momento sempre difícil. Ainda mais porque sou pai de uma ovelha que me foi vendida como um golden retriever. Quem me diz que meu cão é uma ovelha é Norma e ...