Por EDUARDO MUYLAERT Corpos, esses objetos primeiros de todo conhecimento e de toda visibilidade, na bela frase de Georges Didi Huberman, continuam a espicaçar nossa curiosidade, a nos provocar e a nos intrigar, apesar de sua permanente exibição e mesmo exploração. Sem a presença do nu e, portanto, do modelo-vivo, na maioria das vezes uma mulher, seria impossível esboçar uma história da arte. A representação da figura humana na presença de um modelo despido vem desde a antiguidade e só foi interrompida, por influência do cristianismo, na época medieval, para ser retomada no Renascimento. Giorgio Vasari, que fundou, em 1562, em Florença, a primeira academia de arte, presidida por Michelangelo, compreendia que os estudantes tinham muito a aprender com a prática do modelo nu. O historiador de arte Kenneth Clark iniciou seu livro The Nude , de 1956, com uma distinção entre estar nu e estar despido. Estarmos despidos é estarmos privados de nossas roupas e a ...