Por EDUARDO MUYLAERT Algumas manhãs, quando acordo, sinto que meu cérebro está pronto a entrar em estado de composição, que me basta tocar a tecla compose, onde quer que ela se situe, para surgir a obra; aí, procuro não me dispersar, apenas sentir o que a vida oferece. Dessa vez, meu corpo pedia um ovo quente, que exige não só concentração, como atenção, para não se tornar um desastre. Felizmente havia ovos na geladeira, o que é bom, mas não o ideal, pois é sempre melhor começar com um ovo que esteja na temperatura ambiente. Na minha família, o ovo quente era ao mesmo tempo uma celebração e um desafio. Um expert jamais deixa a gema completamente crua, e só os piores amadores servem um ovo cozido quando prometem um ovo quente. Meu avô era o grande especialista, tinha todos os ingredientes do grande criador, tempo a perder, uma certa sofisticação no seu modo de vida modesto, e alguma paciência, que só se revelava nessas horas. No meu caso, opto por soluções mais simp...